Guia clínico · Atenção Primária à Saúde

Você sabe o que é sepse?

Sepse é uma disfunção orgânica aguda causada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção. É uma emergência médica silenciosa: cada hora de atraso no reconhecimento e no tratamento aumenta a mortalidade. Este guia foi construído para apoiar a linha de frente da APS na identificação precoce.

Dados epidemiológicos
0 casos de sepse por ano no mundo
0 mortes relacionadas à sepse por ano — mundo
0 mortes por ano no Brasil
0 taxa de letalidade no Brasil
Antibiótico em até 1h no choque séptico Meta de PAM: 65 mmHg (60–65 em idosos) Mínimo de 30 mL/kg de cristaloides MEWS ou NEWS2 — QSOFA não deve ser usado isolado SAMU 192 nos casos de choque séptico Antibiótico em até 1h no choque séptico Meta de PAM: 65 mmHg (60–65 em idosos) Mínimo de 30 mL/kg de cristaloides MEWS ou NEWS2 — QSOFA não deve ser usado isolado SAMU 192 nos casos de choque séptico
Definições essenciais

Sepse não é a mesma coisa que choque séptico

Distinguir os dois quadros orienta a urgência da resposta clínica e o tempo-alvo de tratamento. Quanto mais à direita no espectro, maior a gravidade e menor a margem de tempo.

Espaço reservado para imagem
Profissional de saúde avaliando sinais vitais do paciente
Infecção Sepse Choque séptico
Sepse

Disfunção orgânica aguda

Resulta de uma resposta desregulada do organismo a uma infecção. É a porta de entrada do quadro — e o momento em que o reconhecimento precoce faz mais diferença.

Choque séptico

Instabilidade hemodinâmica persistente

Caracteriza-se por hipotensão refratária mesmo após ressuscitação volêmica adequada, com necessidade de vasopressores — disfunção circulatória e maior mortalidade.


Terminologia

Quatro níveis de suspeição clínica

A classificação orienta a conduta: quanto maior a suspeita, menor deve ser o tempo até a antibioticoterapia. Arraste o controle ou toque em cada nível — os quatro cartões ficam sempre visíveis.

Confirmada Provável Possível Improvável
Selecionado

Sepse confirmada

Confirmada com base no histórico, exame clínico e exames diagnósticos. Um diagnóstico alternativo é muito improvável.

Conduta: tratamento imediato conforme protocolo de choque séptico/sepse, sem aguardar novos exames.

Selecionado

Provável sepse

Alta suspeita — é o diagnóstico mais provável com base na avaliação clínica. Diagnóstico alternativo é menos provável.

Conduta: iniciar antibiótico em até 1 hora, junto à investigação complementar.

Selecionado

Possível sepse

Suspeita moderada — é um diagnóstico possível, mas um diagnóstico alternativo também é provável.

Conduta: investigação rápida; se a dúvida persistir, pode-se postergar o antibiótico e acompanhar de perto.

Selecionado

Sepse improvável

Baixa suspeita clínica. A avaliação clínica não é compatível com sepse, ou um diagnóstico alternativo é mais provável.

Conduta: seguir investigando a causa alternativa com base na história, exame físico e exames diagnósticos.

Diretriz internacional

O que mudou na atualização SSC 2026

A Surviving Sepsis Campaign publicou em 2026 novas recomendações internacionais para o manejo da sepse e do choque séptico. Explore as abas para ver os pontos mais relevantes para a prática na APS.

Clique nos tópicos abaixo para trocar de conteúdo

O tempo-alvo para a primeira dose de antimicrobiano varia conforme o grau de suspeição.

≤1hmeta

Choque séptico (possível, provável ou definida)

Antibiótico em até 1 hora, sem exceções.

≤1hmeta

Provável sepse

Antibiótico em até 1 hora.

?investigar

Possível sepse

Investigação rápida; se a dúvida persistir, pode-se postergar o antibiótico e acompanhar de perto.

A meta pressórica orienta o uso de vasopressores na ressuscitação hemodinâmica.

Meta geral de PAM
65 mmHg
Idosos > 65 anos
60–65 mmHg
4065100 mmHg

A ressuscitação volêmica oportuna e eficaz é crucial para a estabilização da hipoperfusão tecidual induzida por sepse — use a calculadora ao lado para estimar o volume mínimo de cristaloides.

Processo de atendimento multidisciplinar que agiliza diagnóstico e tratamento — com triagem, alerta e resposta imediata à beira do leito.

Triagem

Ferramenta para monitorar indicadores clínicos de sepse.

Alerta

Ativado à beira do leito ou por algoritmo automatizado.

Equipe de resposta

Avaliação e tratamento imediatos à beira do leito.

O período pré-hospitalar é oportuno para identificar a sepse e iniciar a notificação e o tratamento hospitalar — a triagem na ambulância pode melhorar o desempenho no tratamento.

Para adultos com sepse definitiva ou provável e hipotensão (choque séptico), com tempo previsto para avaliação médica hospitalar superior a 60 minutos: administração de terapia antimicrobiana ainda na ambulância.

Escalas de alerta precoce recomendadas: NEWS ou NEWS2, MEWS ou SIRS. O qSOFA não deve ser usado sozinho como ferramenta de rastreio.

Calculadora de reposição volêmica

30 mL/kg de cristaloides

A SSC 2026 sugere ao menos 30 mL/kg de cristaloides intravenosos na ressuscitação inicial de pacientes com hipoperfusão ou choque séptico.

20 kg100 kg180 kg
2,1 litros
2100 mL de cristaloide

Cálculo: peso (kg) × 30 mL. Ajuste sempre conforme resposta clínica, sinais de congestão e comorbidades cardiorrenais — o valor é uma meta mínima inicial, não um teto.

Fonte: Surviving Sepsis Campaign — Diretrizes Internacionais 2026 · sccm.org

Reconhecendo a sepse na APS

Calculadora MEWS

A sepse e o choque séptico são emergências médicas — atrasos no tratamento aumentam morbidade e mortalidade. Sem exame laboratorial específico, o reconhecimento depende da avaliação clínica sistemática. O MEWS avalia 5 parâmetros vitais básicos para apoiar essa decisão. A avaliação clínica do paciente é sempre indispensável, além do escore.

Preencha os 5 parâmetros

Selecione a faixa correspondente a cada sinal vital para calcular o escore em tempo real.

0
pontos MEWS
Baixo risco
Reavaliar o paciente a cada 4 a 6 horas.
0 pontos
0–2 · Baixo risco 3–4 · Risco moderado ≥5 · Alto risco

Referência metodológica: escala MEWS (Modified Early Warning Score) — PMC1963767. Ferramenta de apoio à triagem; não substitui o julgamento clínico.

Atuação multiprofissional

Qual o papel da equipe na sepse?

Enfermagem e medicina atuam de forma complementar: da triagem à beira-leito até o encaminhamento e manejo definitivo.

Espaço reservado para foto
Equipe de enfermagem

Enfermagem

O enfermeiro como educador: cabe a esse profissional buscar aprimoramento contínuo e promover o desenvolvimento da equipe, assegurando assistência qualificada e segura.

É preciso desenvolver habilidades técnicas e científicas para o reconhecimento da sepse e manter-se em constante atualização por meio da educação continuada — a urgência e a emergência estão na linha de frente da identificação primária, e a enfermagem atua à beira-leito no cuidado.

Espaço reservado para foto
Equipe médica

Medicina

Aplicação de critérios diagnósticos e manejo adequado — em caso de provável sepse, encaminhamento imediato ao hospital. São essenciais capacitação, tempo e recursos para uma avaliação adequada dos pacientes.

A aplicação dos critérios diagnósticos impacta positivamente o atendimento: padroniza a linguagem clínica e, junto ao julgamento clínico, aumenta a suspeição e a segurança dos profissionais, otimizando o tempo de avaliação e o manejo dos casos com maior pontuação.

Quer implementar novas ferramentas na sua unidade?

O Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) disponibiliza protocolos e fichas prontas para uso.

Fonte: Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade — rbmfc.org.br

Fluxo assistencial

Sepse identificada. E agora?

Fluxo de estabilização e encaminhamento para casos suspeitos ou confirmados de sepse em Porto Alegre.

Resumo do fluxo
Passo 01

UBS

Estabilização inicial

Passo 02

SAMU 192

Acionamento e transporte

Passo 03

Porta de urgência

HPS · UPA · PA

Passo 04

Hospital de referência

HCPA · Santa Casa · Conceição

Espaço reservado para imagem
Mapa de Porto Alegre com os pontos de atendimento
01
Na UBS

Estabilização inicial

Enquanto se providencia a remoção, a equipe da APS deve iniciar as medidas de suporte imediatamente:

OxigenoterapiaPara manter saturação adequada.
Acesso venosoInfusão de fluidos se houver sinais de hipoperfusão ou hipotensão.
MonitorizaçãoPressão arterial, frequência cardíaca, respiratória e nível de consciência.
02
Transporte

Acionamento em Porto Alegre

A gravidade do quadro define o meio de transporte:

Choque sépticoAcione imediatamente o SAMU para remoção com suporte avançado de vida.
Deterioração sem instabilidade extremaAmbulância municipal/SIS ou carro próprio com acompanhamento, priorizando a chegada a uma porta de urgência.
192
SAMU

Acionamento imediato em todos os casos de choque séptico ou instabilidade hemodinâmica.

03
Destino

Portas de urgência em Porto Alegre

Principais hospitais de pronto atendimento e referência na capital:

Pronto socorro

HPS

Bom Fim

UPA

UPA Moacyr Scliar

Zona Norte

Pronto atendimento

PA Cruzeiro do Sul

Postão da Vila Cruzeiro

Referência

HCPA / Santa Casa / Conceição

Hospitais universitários e rede filantrópica

04
Documentação

Guia de referência completa

Todo paciente deve ser transferido com uma guia de referência constando:

Sinais vitais exatosNo momento do atendimento (PA, FC, FR, SatO₂, temperatura).
Escalas de alerta precoceEx.: MEWS, ou critérios de disfunção orgânica (alteração mental, perfusão, diurese).
Suspeita do foco infecciosoPulmonar, urinário, pele — e medicamentos já administrados.

Fonte: Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade — rbmfc.org.br

Depois da alta

Como reabilitar pós-sepse?

A recuperação da sepse traz desafios para o paciente e para a família. Nesse momento, é importante o acompanhamento da APS e de profissionais apropriados para promover a recuperação — como fisioterapia e terapia ocupacional.

Grupo Reabilita Sepse

Criação de grupo com profissionais da APS auxiliando no acompanhamento da saúde do paciente pós-sepse.

Alimentação nutritiva e equilibrada

Orientação nutricional como parte do plano de recuperação.

Prática de exercícios físicos

Retomada gradual da atividade física, com acompanhamento.

Cuidado com a saúde mental

Suporte emocional para o paciente e a família no pós-sepse.

Espaço reservado para imagem
Paciente em acompanhamento pós-sepse

Fonte: NCBI Bookshelf — NBK598311

Fale com a equipe do projeto

Contatos e dúvidas

Este material integra um projeto de mestrado voltado à Atenção Primária à Saúde. Dúvidas, sugestões e contribuições são bem-vindas.

Telefone
(51) 99886-5556
Formulário
Contato e dúvidas também disponíveis via formulário

Sobre este material

Conteúdo elaborado com base nas diretrizes internacionais da Surviving Sepsis Campaign (SSC 2026), literatura da Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, materiais do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) e recomendações da escala MEWS. Destinado a profissionais e estudantes de saúde atuantes na Atenção Primária à Saúde de Porto Alegre e região.

7
seções clínicas
2
calculadoras
2026
diretriz SSC
Espaço reservado para imagem
Equipe do projeto / autora do mestrado