Sepse é uma disfunção orgânica aguda causada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção. É uma emergência médica silenciosa: cada hora de atraso no reconhecimento e no tratamento aumenta a mortalidade. Este guia foi construído para apoiar a linha de frente da APS na identificação precoce.
Distinguir os dois quadros orienta a urgência da resposta clínica e o tempo-alvo de tratamento. Quanto mais à direita no espectro, maior a gravidade e menor a margem de tempo.
Resulta de uma resposta desregulada do organismo a uma infecção. É a porta de entrada do quadro — e o momento em que o reconhecimento precoce faz mais diferença.
Caracteriza-se por hipotensão refratária mesmo após ressuscitação volêmica adequada, com necessidade de vasopressores — disfunção circulatória e maior mortalidade.
A classificação orienta a conduta: quanto maior a suspeita, menor deve ser o tempo até a antibioticoterapia. Arraste o controle ou toque em cada nível — os quatro cartões ficam sempre visíveis.
Confirmada com base no histórico, exame clínico e exames diagnósticos. Um diagnóstico alternativo é muito improvável.
Conduta: tratamento imediato conforme protocolo de choque séptico/sepse, sem aguardar novos exames.
Alta suspeita — é o diagnóstico mais provável com base na avaliação clínica. Diagnóstico alternativo é menos provável.
Conduta: iniciar antibiótico em até 1 hora, junto à investigação complementar.
Suspeita moderada — é um diagnóstico possível, mas um diagnóstico alternativo também é provável.
Conduta: investigação rápida; se a dúvida persistir, pode-se postergar o antibiótico e acompanhar de perto.
Baixa suspeita clínica. A avaliação clínica não é compatível com sepse, ou um diagnóstico alternativo é mais provável.
Conduta: seguir investigando a causa alternativa com base na história, exame físico e exames diagnósticos.
A Surviving Sepsis Campaign publicou em 2026 novas recomendações internacionais para o manejo da sepse e do choque séptico. Explore as abas para ver os pontos mais relevantes para a prática na APS.
O tempo-alvo para a primeira dose de antimicrobiano varia conforme o grau de suspeição.
Antibiótico em até 1 hora, sem exceções.
Antibiótico em até 1 hora.
Investigação rápida; se a dúvida persistir, pode-se postergar o antibiótico e acompanhar de perto.
A meta pressórica orienta o uso de vasopressores na ressuscitação hemodinâmica.
A ressuscitação volêmica oportuna e eficaz é crucial para a estabilização da hipoperfusão tecidual induzida por sepse — use a calculadora ao lado para estimar o volume mínimo de cristaloides.
Processo de atendimento multidisciplinar que agiliza diagnóstico e tratamento — com triagem, alerta e resposta imediata à beira do leito.
Ferramenta para monitorar indicadores clínicos de sepse.
Ativado à beira do leito ou por algoritmo automatizado.
Avaliação e tratamento imediatos à beira do leito.
O período pré-hospitalar é oportuno para identificar a sepse e iniciar a notificação e o tratamento hospitalar — a triagem na ambulância pode melhorar o desempenho no tratamento.
Para adultos com sepse definitiva ou provável e hipotensão (choque séptico), com tempo previsto para avaliação médica hospitalar superior a 60 minutos: administração de terapia antimicrobiana ainda na ambulância.
Escalas de alerta precoce recomendadas: NEWS ou NEWS2, MEWS ou SIRS. O qSOFA não deve ser usado sozinho como ferramenta de rastreio.
A SSC 2026 sugere ao menos 30 mL/kg de cristaloides intravenosos na ressuscitação inicial de pacientes com hipoperfusão ou choque séptico.
Cálculo: peso (kg) × 30 mL. Ajuste sempre conforme resposta clínica, sinais de congestão e comorbidades cardiorrenais — o valor é uma meta mínima inicial, não um teto.
Fonte: Surviving Sepsis Campaign — Diretrizes Internacionais 2026 · sccm.org
A sepse e o choque séptico são emergências médicas — atrasos no tratamento aumentam morbidade e mortalidade. Sem exame laboratorial específico, o reconhecimento depende da avaliação clínica sistemática. O MEWS avalia 5 parâmetros vitais básicos para apoiar essa decisão. A avaliação clínica do paciente é sempre indispensável, além do escore.
Selecione a faixa correspondente a cada sinal vital para calcular o escore em tempo real.
Referência metodológica: escala MEWS (Modified Early Warning Score) — PMC1963767. Ferramenta de apoio à triagem; não substitui o julgamento clínico.
Enfermagem e medicina atuam de forma complementar: da triagem à beira-leito até o encaminhamento e manejo definitivo.
O enfermeiro como educador: cabe a esse profissional buscar aprimoramento contínuo e promover o desenvolvimento da equipe, assegurando assistência qualificada e segura.
É preciso desenvolver habilidades técnicas e científicas para o reconhecimento da sepse e manter-se em constante atualização por meio da educação continuada — a urgência e a emergência estão na linha de frente da identificação primária, e a enfermagem atua à beira-leito no cuidado.
Aplicação de critérios diagnósticos e manejo adequado — em caso de provável sepse, encaminhamento imediato ao hospital. São essenciais capacitação, tempo e recursos para uma avaliação adequada dos pacientes.
A aplicação dos critérios diagnósticos impacta positivamente o atendimento: padroniza a linguagem clínica e, junto ao julgamento clínico, aumenta a suspeição e a segurança dos profissionais, otimizando o tempo de avaliação e o manejo dos casos com maior pontuação.
O Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) disponibiliza protocolos e fichas prontas para uso.
Fonte: Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade — rbmfc.org.br
Fluxo de estabilização e encaminhamento para casos suspeitos ou confirmados de sepse em Porto Alegre.
Estabilização inicial
Acionamento e transporte
HPS · UPA · PA
HCPA · Santa Casa · Conceição
Enquanto se providencia a remoção, a equipe da APS deve iniciar as medidas de suporte imediatamente:
A gravidade do quadro define o meio de transporte:
Acionamento imediato em todos os casos de choque séptico ou instabilidade hemodinâmica.
Principais hospitais de pronto atendimento e referência na capital:
Bom Fim
Zona Norte
Postão da Vila Cruzeiro
Hospitais universitários e rede filantrópica
Todo paciente deve ser transferido com uma guia de referência constando:
Fonte: Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade — rbmfc.org.br
A recuperação da sepse traz desafios para o paciente e para a família. Nesse momento, é importante o acompanhamento da APS e de profissionais apropriados para promover a recuperação — como fisioterapia e terapia ocupacional.
Criação de grupo com profissionais da APS auxiliando no acompanhamento da saúde do paciente pós-sepse.
Orientação nutricional como parte do plano de recuperação.
Retomada gradual da atividade física, com acompanhamento.
Suporte emocional para o paciente e a família no pós-sepse.
Fonte: NCBI Bookshelf — NBK598311
Este material integra um projeto de mestrado voltado à Atenção Primária à Saúde. Dúvidas, sugestões e contribuições são bem-vindas.
Conteúdo elaborado com base nas diretrizes internacionais da Surviving Sepsis Campaign (SSC 2026), literatura da Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, materiais do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) e recomendações da escala MEWS. Destinado a profissionais e estudantes de saúde atuantes na Atenção Primária à Saúde de Porto Alegre e região.